Archive for March, 2012

Fafrotskye

Posted in Uncategorized on March 30, 2012 by renatocruzatto

Decompõe-se aos poucos,
uma mentira que não se pode provar,
um coração incapaz de se desprender,
e a sanidade se perde entre terra e ar.

Nossa construção, de encontro ao chão.
Caindo, sorrisos céticos, caindo;
mas estávamos mortos muito antes da queda.

Quando a chuva nos provoca calmaria sem igual;
quando a mente nos concede um sacrifício desleal;
quando as nuvens precipitam num protesto irracional;
quando a morte nos precede uma incerteza tão vital.

Ser sentido não implica ter sentido. 

Crônica 1

Posted in Uncategorized on March 12, 2012 by renatocruzatto

E é há algum tempo que venho acompanhando o processo, inexplicável processo, que lentamente tem me transformado, de um completo pamonha, em alguém aparentemente(aparentemente) corajoso e seguro de si. Digo isso, pois hoje dei mais um passo, rumo ao fim dessa estrada(ou seria um circuito?). Aconteceu que, estando eu caminhando à noite, numa calçada escura(porém próxima a uma guarita de segurança), travei um interessante diálogo com um furtivo sujeito que cruzou comigo. Foi mais ou menos assim:

Ae otário, vai passando a bolsa, perdeu maluco, perdeu

– disse o homem, enquanto apontava um pequeno canivete em minha direção. Dito isso, olhei em seus olhos, sem ódio ou medo, apenas perplecto, como a dizer “Você vai mesmo me assaltar há 5 metros de uma guarita de segurança? É isso mesmo?”. Enquanto processava a informação, apenas fitei-o, inerte. Meu amigo estava agitado, claramente impaciente.

Mano, cê quer morrer? Tá olhando o quê? Passa logo, caralho!

– foi como um sussurro, mas pronunciado com tal ênfase que já adquiria volume de conversação normal. Nesse momento fui como que tomado por um espírito adormecido, pois contra todas as forças da natureza, mantive-me sóbrio, plácido. Disse:

Cara, eu vou andar até ali. Se tentar algo,  eu grito pro segurança e você se fode.

E enquanto andava, ainda pude ouvir:

Ihhh, irmão, vai apelar? Então tá certo, desculpa aí bicho… fica na paz parcero…

Minutos depois, ainda orgulhoso da minha coragem imbecil, noto que estava andando por São Paulo há horas com o zíper da calça aberto.  “Ah, apenas se ele soubesse…” – pensei, com um sorriso de canto.