Archive for the Fezes Category

(e como eu queria saber seu verdadeiro nome)

Posted in Fezes on October 25, 2012 by renatocruzatto

Creio que seja consenso que o melhor tratamento pra um vício é abster-se por completo do mesmo. Certo? Agora imagine um vício em que essa simplesmente não é uma opção – pois implicaria danos sociais absurdos. Eis a minha relação com você.

Então eu vou lá. Meia horinha só, qual o problema? E de repente as suas garras já estão sobre mim. Me deixa amarradinho, passivo, tal qual dominatrix.

Agora, tenhamos em mente que a sua origem remonta dos primórdios da minha existência. Desde que nós nos fomos apresentados, me recordo de ter sido controlado pela minha mãe. “Não exagera, Renato! Sai logo daí!” – coisas assim ressoam até hoje por aqui. Mãe: terás sido freio ou motor? O fato é que havia algo de dócil no seu gritar. Me acostumei, e passaram-se anos assim.

E hoje já não há mais quem possa gritar comigo. Sei que esse alguém terá de ser ninguém menos que este que aqui vos tecla, e quando acontecer, não será nada dócil. Mas também sei que cada teclada exala uma fragrância suave de hipocrisia. Por hora, a vitória é sua: ainda não estou pronto. Lanço-me, de cabeça, buraco abaixo. Um dia haverei de estar, ou quebrarei o pescoço.

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Posted in Fezes on October 18, 2011 by renatocruzatto

pra ser sentido, tem que ter sentido?

Clorofilafilia

Posted in Fezes with tags , on October 17, 2011 by renatocruzatto

verde+vermelho=marrom
(seu burro)

Verde, ele era todo verde. Seus bolsos, completamente verdes, eram de uma verdura sem igual: James podia tudo. James podia mudar a vida daquele mendigo todo fodido ali no canto. Podia transar com aquela mocinha que atravessou a rua com medo do mendigo todo fodido. Podia convencer aquela mocinha a fazer um threesome com ele e o mendigo todo fodido. James podia tudo, porque era verde e tudo ao seu redor ia ficando verde. Mas preferiu entrar na lojinha(era uma loja bem grandinha)(coisa fina):

– How much for a piece of that?

– That’ll be a huge amount of money, sir.

– I’ll take it.

James saiu e agora tudo era grama(talvez fosse papel). O mendigo chorando seu drama, a mocinha querendo ir pra cama, mas a rua era seu bordel. Seu terno rebuscado era de uma fosforescência cegante. James trotava em seu burro(coversível) limão-cintilante.

Então virou a esquina, na contramão.
Luzes vermelhas(era um caminhão).
Fogo, incêncio, destruição.
Morria James, todo marrom.